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Sozinha

Não adianta bater
Aqui não tem ninguém pra apagar a luz depois que você dormiu, ninguém pra se certificar que a porta esta trancada, ajustar o despertador, trazer um copo d'água e dormir de conchinha, mas também não tem ninguém pra ligar o ar-condicionado no máximo e transformar seu quarto num frigorifico, ninguém pra te acordar com insonia e roubar seu edredom, ninguém.

Não adianta
Ninguém vai reclamar do transito ou gritar que o sinal já abriu. Ninguém vai mais dizer que você dirige mal. Mas também ninguém vai te explicar o caminho, te ensinar a estacionar na vaga difícil ou até mesmo dirigir quando você estiver cansada. Ninguém vai subir com a sacola pesada por você. Ninguém.

Não
Ninguém vai comentar a novela
Ninguém vai mudar de canal
Ninguém vai lavar a louça
Ninguém vai sujar a louça
Ninguém vai dar bom dia
Ninguém vai irritantemente dormir até meio dia
Ninguém vai pedir a comida
Ninguém vai cozinhar maluquices
Ninguém vai te lembrar do remédio
Alias, você não precisa mais de remédio
Agora você pode esquecer o celular em casa
Ninguém vai te ligar
Ninguém vai te criticar
Ninguém vai te elogiar

Aqui só tem eu.

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Vitrine nossa do dia a dia

Quando me percebi estava dentro de uma caixa de concreto, iluminada por luz neon e ar refrigerado, cada cubo se conectando com escadas rolantes.
Ao meu lado outros objetos felizes, alguns mais, alguns menos.
No corredor andavam pessoas a nos classificar com valores abstratos de simetria, estética e beleza. Foi quando um deles me perguntou: você é importada?

Eu sei

Quem é mais tolo?
Quem espuma ou quem chacoalha?
Quem aceita ou quem se aproveita?
A esperança ou o orgulho?

No fundo a gente sabe
No fundo a gente sabe

Quem é mais feliz?
Quem perde a cabeça ou quem com ela anda?
Quem se esconde ou quem dá a cara?
O esquecimento ou a saudade?

No fundo a gente sabe
No fundo a gente sempre sabe