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Mostrando postagens de 2009

Clareza nula

Pura falta do que fazer, pura kilometragem rodada, puro amor próprio com a autoestima em frangalios, puro romântismo nulo que me ronda nos últimos tempos e já não sei se toda essa clareza me serve para alguma coisa.
A verdade é que quebrou-se toda a magia e hoje vejo a vida nua. Cada um dá a ela o significado que consegue e assim os dias vão passando matematicamente após cada 24 horas. Os interesses são claros e não há paixão que mude onde realmente queremos chegar.
Em minhas orações já não peço nada em específico, já desisti do mistério, peço apenas o suficiente para levar os dias e bem devagar reerguer meu jardim. Cada flor é uma vitória e nem me importo com frequentes inundações, afinal tenho mais o que fazer...

Nada

Amigas se encontram sempre, as vezes nem tanto...
- Mas me conta, depois daquele dia, não aconteceu mais nada?
- Nada.
- Mas nem uma conversinha mal educada?
- Nada.
- Nem no msn, mensagem de texto, fofoca, telefonema embreagado de madrugada, visitas indesejadas no orkut, links desaforados no facebook, pensamentos soltos no final de tarde ou até mesmo aquela maldita musica que insiste em tocar no meio da balada?
- Nada.

Mudança de sol

Não estou fazendo nada do que deveria ser feito. Ao invés de procurar saídas, procuro formas de continuar onde estou, formas para amenizar a vontade de gritar, grito esse que nunca saiu, quando sair também será o ultimo.
Parece que como numa célula, tudo atraí para o núcleo e fico rodando em volta do sol e rodando em mim mesma, sem parar. Os outros planetas fazem a mesma coisa, alguns até mais concentrados que eu. Pensei que a lua modificaria o movimento da ciranda, mas parece estar exatamente igual, com ou sem lua.
Isso tudo é medo, dizem alguns, mas eu acredito que é preguiça. Preguiça de começar de novo em um outro sistema solar, pode novamente não ser o meu sol. Isso acontece demais.
Quando fico triste, olho pra cima e vejo quantas estrelas ha no céu. Cada estrela com seus planetas, suas luas, suas vidas e tantas pessoas especiais.
Será egoismo achar que só onde rodo existe vida?

5 meses

Sem muita novidade, amigos de sempre, bar de sempre e as conversas... sempre as mesmas conversas. Saí de casa assim, esperando mais uma noite quente de novembro igual a todas do ano todo, realmente foi assim até meados da meia noite, quando uma mão repentinamente tampa meus olhos.
Indescritivel a sensação, acho que ninguem gosta de suspense, não pelo menos até finalmente acontecer. Me senti a beira de um ataque de nervos, tantos planos antes de dormir, tantos sonhos acordada e agora na eminência de uma história boa, com pressentimento da decepção. Não pensei em nada e me concentrei em entrar na brincadeira e descobrir pelo tato, pelo cheiro.
Peguei na pontinha dos dedos, dedos gordos, mão de homem, homem sem unha, será que rói as unhas? Prefiro não arriscar no palpite e continuo seguindo os braços, no punho uma pulseira fininha, podia ser do senhor do Bonfim, bem gasta e os braços quentes, cheios de pêlos grossos.
O burburinho em volta juntamente com as risadinhas enunciavam que iria me …

E se...

E se todo mundo gostasse dos seus filmes? Como poderiamos discutir o que sentimos e o que achamos sobre os temas mais diversos?
E se todos os shows fossem recordes de bilheteria? Como ficariamos anônimos, quietinhos aproveitando o momento?
E se todas suas viagens fossem curtas e passassem rápido? Eu não sentiria saudade e nem poderiamos mata-la, como aquela da última vez.
E se todas as noites as crianças dormissem cedo? Nossos beijos seriam as claras e provavelmente não teriam graça alguma.
E se nossos chefes fossem sempre bem humorados e não nos estressasem? Suas costas nunca mais doeriam e eu não faria aquela massagem com óleo jonhson que você sente tanta cócega.
E se a cerveja não acabasse no meio da noite? Não iriamos fugitivos de mãos dadas até o posto mais próximo reparando como a lua está bonita.
E se nossos exs nunca mais nos ligassem e fossem juntos passear no espaço? Como você poderia fazer aquele biquinho lindo, no meio do supermercado?
E se a vida fosse perfeita e não existissem …

Meu

Não sei bem explicar, mas tenho certeza que você é meu.
Mesmo tendo dona, sempre foi e sempre será meu. O sentimento é certeiro, não tem pressa e pode demorar um dia, um mês, um ano ou a vida toda, pode até ultrapassar a vida, nem ligo.
Tudo que viver, mesmo longe de mim, não modifica nada. Você pode ficar com quem quiser, namorar, engravidar, casar, morar fora e até sofrer, pra sempre meu será.
Não temos culpa, precisamos viver, temos sede, mas sempre com a certeza de que temos um ao outro, se não no mesmo caminho de mão dadas, em caminhos paralelos que vão chegar sempre no mesmo lugar.
Vai na paz, faça sua vida, cresça e aprenda o inevitável, evolua e venha me ver. Tudo isso só vai servir pra te preparar melhor pra mim.

Caverna de Platão

Era uma caverna escura, dessas de filme de medo. Tão escura que ninguem se via, escuridão maligna. As pessoas que lá estavam mal conseguiam se enxergar e a todo tempo se perguntavam: O que fiz para merecer estar nesse lugar? Muito preocupadas com o porque de estarem ali, sabiam que algemas prendiam seus pés e sonhavam com a luz que vinha lá de longe, a única esperança de escapar.
Quando no auge do desespero, onde pensava não aguentar mais, uma luz surgiu no cantinho do olho e num suspiro frio avisou que olhasse para baixo.
Não haviam mais algemas, mas a escuridão não deixava enxergar que o aprisionamento era puro e simplismente mental.
Sem fazer alarde, vou saindo de fininho, morrendo de medo de voltar para lá voltar, caso a luz acabe outra vez.

inspirado no sonho acordado de M.A.

Parede de vidro

Lapsos de consciência. É como se no meio da viagem de reconciliações, amor, destino e fantasias num futuro encontro, uma verdade de repente surgisse. Como um raio, a sensação que chega a ser física, sinto no corpo que não dá mais.
É algo maior que a vontade, maior que o desejo, é simplismente a realidade. Estranha realidade que contrasta com todo o romântismo. Como se fosse uma parede de vidro onde consigo até sentir o cheiro do quanto poderia ser bom. É tão gostoso de olhar, é o encaixe perfeito do eu com o que planejo me tornar, com o que mais gostaria de ter e ser. Mas se não fosse o vidro a separar... Maldita parede.
Peço desculpas a mim mesma e assumo definitivamente que não pode ser.

Maior que eu

O amor maior que eu nunca foi pequeno, mas só tende a crescer. Cada segundo que passa, cresce junto e quando você acha que parou, lá está ele, incrivelmente maior.
Você nem acredita, não tem mais pra onde crescer , já ocupou todos os lugares e já entrou por todos os buracos, mesmo assim só aumenta.
É tão suave e refrescante que envolve o pé, tornozelo, pernas, quadril, braços, cabeça e entra com tudo no coração. Se instala.
Impossivel lembrar como era antes de existir, acho que sempre esteve ali.
Não sei quanto de mim ha em você, mas você está completinho em mim.

Lá é longe daqui

Aos pouquinhos
O mar se transforma em um aquário bem pequenininho
A selva vira o zoológico aqui pertinho
E o país entra dentro da minha cidade, meu cantinho.

Bem devagar
O ar fica mais limpo
As idéias mais claras
E o sorriso mais fácil.

Sem me apressar
Vejo o relógio correndo solto
Vejo a noite se transformando em dia
E vejo ninguem a reparar.

Lentamente, te vejo passar
Sem a menor vontade de te seguir
Sem nem ao menos pensar onde vai
Sem nada para dizer, deixo para lá.

Seu cheiro

Seu cheiro sai de você.
Ansiosamente espera que alguêm abra a porta e com todo cuidado desce as escadas. Ao chegar na garagem, olha para a janela esperando que tenham notado sua falta e fugitivamente ultrapassa o portão.
Enfim livre.
Por todos os lados, outros cheiros se misturando mas o seu decide ir passear, chega na avenida e tenta se lembrar do caminho que voçê faz todos os dias.
Onibus vermelho, é esse!
No caminho o cheiro de uma mulher senta ao lado, mas incomodado ele abre a janela e olhando a paisagem deixa a brisa do mar se aconchegar.
Seu cheiro misturado com a praia.
Nesse estado, o seu cheiro de domingo de praia, desce em outra avenida, atravessa a rua, aproveita a entrada de carros aberta, sobe o elevador, quase se perde no corredor mas acha a porta.
Enfim em casa.
Entra em meu apartamento, toma conta da sala, varanda, quartos e cozinha, dentro do guarda-roupa, embaixo da almofada do meu sofá novo.
E eu?
Eu faço cara de que não reconheço e continuo a me espreguiçar.

Distração

Estavam os dois distraidos. Cada um na sua.
Quando se conheceram, nenhum sino bateu. Muitos assuntos em comum, muitas histórias parecidas. A curiosidade de saber um novo ponto de vista era o que reinava, a conversa fluia livre, leve, quase com admiração, quase com respeito. Risos sonoros e piadas com o drama.
Assim se seguiram os dias, agora com encontros mais frequentes, a intimidade crescia e o prazer tomava conta. Era bom, gostoso se esbarrar. Ficava nítida a reciprocidade, sorriso estampado, parecia não haver mais ninguem na rua, parecia que os dois haviam saído de casa para tal ocasião.
Um dia a lua estava cheia, o ar meio úmido e um calor fora do normal e os dois se encontraram sem querer mas não olharam na mesma direção.
Desde então tudo mudou, a alegria virou ansiedade, o abraço sufocante, o sorriso soava falso... Cada pensamento de bem querer e cuidado com o outro foi se tranformando em angustia e pessimismo, um silêncio velado. O ar ficou pesado, denso e o tempo demorava a passa…

Mistura

Hoje vou segurar seus cabelos como se fossem meus e devagarzinho fechar seus olhos para nos juntarmos com o breu da noite. Misturando tudo: eu, você e a noite, já não sei de quem são esses beijos, se são seus ou meus.
O vento em minha nuca não sei de onde vem e suas mãos não faço idéia de onde estão. Calor e frio, seco e molhado, claro ou escuro, tanto faz. Hoje tudo é nosso.
Misturando assim que bicho que dá? Mão de um, pé de outro.
Vou vestir sua camisa e te obrigar a usar meu anel. Bem misturado a gente se entende melhor.

óculos escuros

Quem você pensa que é?
Você não é e nunca representou nada!
Eu não gosto de você, não gosto do seu cabelo branco, seu olho é muito fundo, acho até que é meio vesguinho, seu nariz é grande e sua orelha peluda. Rói as unhas e é barrigudo. Suas tatuagens não tem o menor estilo e suas roupas então... teria que te dar um banho de loja e de cultura. Seu gosto musical é terrivel e sua visão politica pior ainda...
Já não me lembro seu nome, nem o nome que te chamava, não me lembro da sua voz e nem o nome que me chamava. Não tenho o menor interesse no que está fazendo agora e nem o que pretende fazer amanhã. Pra mim é tudo bobagem.
Já passei a borracha, já passei um tempo, já deixei esfriar, já enterrei no jardim e já joguei no mar, queimei, deixei o vento levar.
Só quando fecho os olhos, somente assim, não consigo evitar.
Nunca mais tirei os óculos escuros.

Distância

A distância serve para muita coisa.
Se você colocar uma caneta na ponta do seu nariz, não consegue saber nem o formato.
É a única forma de ver, a única forma de sentir, a única forma de compreender. A distância tem cheiro de vento, cor de água e gosto de carvão. Mas tem me feito muito bem. Hoje entendo que é o caminho certo a seguir e não adianta pegar atalho, a estrada amarela deve ser completa, ladrilho por ladrinho.
Só não me esfregue sua foto na cara, não me deixe vacilar, não me deixe lamentar. O caminho tem tantas curvas que eu fico tonta.
Vou permanecer assim, longe, até o carnaval chegar.

Unha

Minha unha nasceu torta.
Um dia olhei e vi um buraco, assim, bem no começo, bem no cantinho. Será que fiz algo errado?
Durante o processo não percebi por onde a falha andava, mas agora eu vi.
Cresce unha, vou te cortar.
Não aguento mais buracos em minha vida.