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Culpado

Encontrei uma pessoa, culpa do destino
Saí de casa bonita, culpa minha
Recebi olhares e cantadas, culpa minha
Correspondi alegremente, culpa minha
Aceitei a carona, culpa minha
Estiquei o papo, culpa minha
Fizemos planos, culpa minha
Te traí e dormi feliz, culpa sua

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Vitrine nossa do dia a dia

Quando me percebi estava dentro de uma caixa de concreto, iluminada por luz neon e ar refrigerado, cada cubo se conectando com escadas rolantes. Ao meu lado outros objetos felizes, alguns mais, alguns menos. No corredor andavam pessoas a nos classificar com valores abstratos de simetria, estética e beleza. Foi quando um deles me perguntou: você é importada?

Mudança de sol

Não estou fazendo nada do que deveria ser feito. Ao invés de procurar saídas, procuro formas de continuar onde estou, formas para amenizar a vontade de gritar, grito esse que nunca saiu, quando sair também será o ultimo. Parece que como numa célula, tudo atraí para o núcleo e fico rodando em volta do sol e rodando em mim mesma, sem parar. Os outros planetas fazem a mesma coisa, alguns até mais concentrados que eu. Pensei que a lua modificaria o movimento da ciranda, mas parece estar exatamente igual, com ou sem lua. Isso tudo é medo, dizem alguns, mas eu acredito que é preguiça. Preguiça de começar de novo em um outro sistema solar, pode novamente não ser o meu sol. Isso acontece demais. Quando fico triste, olho pra cima e vejo quantas estrelas ha no céu. Cada estrela com seus planetas, suas luas, suas vidas e tantas pessoas especiais. Será egoismo achar que só onde rodo existe vida?

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Minha unha nasceu torta. Um dia olhei e vi um buraco, assim, bem no começo, bem no cantinho. Será que fiz algo errado? Durante o processo não percebi por onde a falha andava, mas agora eu vi. Cresce unha, vou te cortar. Não aguento mais buracos em minha vida.